segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O CACIQUISMO

O caciquismo foi uma postura em moda da parte daqueles que tentavam ser líderes no tempo da outra senhora. Alguns caciques conseguiram mandar, e poucos conseguiram de ser líderes. Depois do 25 de Abril alguns dos caciques (disfarçados) conseguiram manter a sua marcha triunfal perante a falta de cultura de alguns que confundiam caciquismo com liderança; gerou-se uma atitude seguidista e submissa, politicamente muito correcta, mas sem iniciativa nem capacidade de concretização (pãezinhos sem sal).
Os anos passaram, alguns ainda não aprenderam a diferença e continuam a submeter-se às ordens dos senhores caciques (que não sabem encontrar uma saída à Figo - na mó de cima, com dignidade e respeitado por todos -).
Infelizmente os anos não perdoam e trazem-nos todas as prendas que se vão angariando ao longo da vida (umas mereciads, outras nem tanto).
Em Março de 2008 o actual Provedor foi hospitalizado no CHC para tratamento de uma fractura do fémur esquerdo. Como é habitual, foi tratado com todas as mordomias e foi ele próprio que impôs a data da alta, por transferência para o Centro de Medicina de Reabilitação do Centro. Sobre esta questão fui contactado pelo então Presidente, para aceitar a dita transferência na quinta feira dia 27 de Março de 2008 (eu estava de férias fora do país). Clinicamente parecia-me um disparate aceitar um doente num pós operatório recente, idoso, com factores de risco conhecidos. Embora estivesse de acordo comigo, o Presidente não foi capaz de exercer a sua autoridade e submeteu-se à vontade do cacique.
Pouco importava saber se esta era a melhor solução para o utente, se havia condições objectivas para o receber ou mesmo se havia alguém mais necessitado das camas que ele iria ocupar!

Este foi um epidódio fundamental na submissão deste CA, que não sabendo o que fazer, andou ao sabor do vento e navegou sempre com o vento dominante. Assim foi dominado e hoje não tem vontade própria, não faz nada sózinho, mas também não quer fazer. Nem sequer é capaz de executar as obras que herdou do anterior CA!!!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

COR POLÍTICA?.... PARA QUÊ?

A questão dos Boys e das cores políticas é engraçada e por vezes caricata.
A rentrée proporciona-nos reflexões e recordações mais ou menos engraçadas (ou ridículas). Ainda não tenho idade para pensar em escrever memórias mas tenho algumas recordações engraçadas para partilhar.
Em Julho de 2006 fui contactado por um amigo, que tinha sido contactado por uma amiga, para saber se eu estava disponível para falar com o Presidente do Conselho de Administração do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro ! Curioso disse que sim uma vez que não tenho quaisquer pruridos em falar com quem quer que seja. Não tenho, nem nunca tive, barreiras desta natureza.
Eu já sabia que tinha havido contactos com todos os Fisiatras da Região e que este encontro era a procura desesperada duma solução para salvar aquele CA das embrulhada em que estava metido (sem mais Fisiatras, cativos da Dra. Arminda com que tinham entrado em conflito aberto).
O encontro foi preparado, num local recatado da cidade de Coimbra, de modo a evitar encontros inoportunos e a exposição dos diferentes participantes. Tomar um café no Bar do Hotel D. Luís, foi a proposta contando com a minha presença, do Sr. Presidente, da Sra. Enfermeira Directora e do Sr. Vogal.
Feito o ponto da situação e apresentada a proposta o Sr. Presidente teve que se afastar para atender o telemóvel . Muito oportunamente, recebi neste momento a informação mais importante da reunião (???). Confessou-me a Sra. Enfermeira que, nós os três presentes, éramos da mesma cor, o que, considerando a idade do Sr. Presidente constituía um prenuncio e uma sugestão velada de que (eventualmente) poderíamos partilhar mais do que aquilo que se estava ali a propor. Supostamente esta afirmação permitiria tornar mais aliciante a proposta que me estava a ser feita.
O vogal tentou disfarçar este comentário para evitar o ridículo que se sentiu e eu não fui capaz de responder porque nunca tinha observado em directo uma tentativas de facada política em directo e ao vivo (supondo que de facto, qualquer cor política me motivava para um lugar técnico).
Este é um exemplo concreto na primeira pessoa, que confirma alguns dos comentários que aqui apareceram revelando a natureza promíscua das relações contratuais daquelas pessoas que dirigiram o Centro (e cuja continuidade está assegurada).

domingo, 23 de agosto de 2009

O HOMEM E O BURRO

Uma das características que mais incomoda na nossa comunidade é exactamente a falta de definições que suportem a tomada de decisões. Daqui resulta que ninguém sabe se é melhor ir em cima do burro, ao lado do burro ou mesmo levar o burro às costas.
E esta característica resulta do facto de que toda a gente sabe de tudo: direito, medicina , política, informática .... Com tanto perito só não entendo porque não temos um país com mais investigação tecnológica, mais industrializado, mais inovador ... etc.
Pois bem porque em muitos casos toda a gente tem muita garganta e vai a reboque do tocador de flauta que encanta tudo, sobretudo os ratos.
Contrariamente ao comentário feito sobre o tema anterior, eu até reconheço os meus erros e até posso falar de tudo. Preciso apenas que provem que errei e que mantenham capacidade de diálogo para falar dos assuntos.

Pois uma das razões que levou o CMFRRC a chegar ao que chegou é que toda a gente manda palpites e toda a gente pensa saber o que se deve fazer num Centro de Reabilitação. Abriu camas para tratar os doentes submetidos a cirurgia para enxerto de células da mucosa olfactiva e interrompeu aquela actividade, sem nos explicar porquê. Iniciou um Programa de reintegração Profissional de Deficientes que morreu à nascença (no entanto foi notícia de jornal). Integrou a Associação para a Reabilitação Cardíaca (que propôs efectuar no Centro e nada se viu). Propôs abrir uma oficina de próteses e nada se vê. Propôs-se criar uma área de Desporto para Deficientes e limitou-se a criar um tacho à margem do Centro, para os amigos do basquetebol. Propôs-se a criação de uma Unidade de crânio-encefálicos que ainda ninguém sabe o que significa de facto. Avançou-se com uma projecto de Unidade de Cuidados Continuados com especificidades não fundamentadas.
Enfim, cada cabeça sua sentença, pelo que levando em consideração a falta de um plano estratégico ou de um Plano Director da Instituição, continua a navegar-se à vista, a maior parte do tempo nem se chega a navegar, está-se verdadeiramente à deriva (como é o caso presente).

Foi também esta indefinição que levou à implementação da Fisioterapia intensiva, como se um Centro de Reabilitação fosse apenas um Centro de Fisioterapia.
Continuo a ser Médico e continuo a ser Docente Universitário e pauto a minha actividade por princípios cartesianos (para o bem e para o mal). Quando alguém, recorrendo a estes princípios, evidenciar que a fisioterapia intensiva é o melhor procedimento para implementar num Centro de Reabilitação digno desse nome, para bem dos doentes, estarei pronto a defender a sua aplicação. No entanto enquanto a evidência for aquela que se importa de Cuba, não estou disposto a implementar o modelo num Hospital Público (pago por todos nós).
Já não vivemos na década 50 (como em Cuba) e o tempo das vacas gordas também já passou. Não é tolerável que se continue a avançar com projectos e com investimentos liderados por quem nada percebe do assunto (mas que pensa e assume que basta bom senso - que se o tivessem iam para casa plantar batatas).
Sobre este como sobre outros assuntos estou sempre disposto a falar, até porque ninguém é dono da verdade e sempre podemos aprender uns com os outros. Não estou aqui a catequisar ninguém, mas tenho convicções baseadas nas evidências dos que me precederam.
O problema é a falta de abertura para dialogar sobre estes e outros assuntos, das pessoas que são donas de verdade.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

BALANÇO DE RESISITIR

Há momentos em que é preciso fazer balanços e repensar o futuro. Daí, um balanço do "RESISTIR" que quero partilhar com que me lê.

Quais as consequências da existência deste Blogue desde o início de Abril?

A título pessoal sinto-me satisfeito com a possibilidade de comunicar e partilhar a minha visão da realidade e sobre ela expressar livremente (quase) a minha opinião. Só este facto permite-me dormir tranquilo e poupar dinheiro com uma eventual psicoterapia para controlar a ansiedade e o stress da vida profissional.

Para além deste enorme benefício que é a minha sanidade mental, há a vantagem para a colectividade que resulta dos conteúdos do blogue e das denúncias que eu (e outros) vamos fazendo das realidades que conhecemos, preocupantes na óptica da justiça, do respeito mútuo e do respeito pelo dinheiro dos contribuintes. Este aspecto é agora mais relevante com o aparecimento de denúncias novas e diferentes das que tenho vindo a fazer. A participação neste blogue de pessoas que são ou foram trabalhadores da instituição e que podem ajudar a desmascarar o que por lá acontece ou aconteceu é um apoio à minha luta e um sinal de que há um mau estar na instituição, que não pode continuar a ser ignorado.

A reacção do CA à existência deste blogue veio reforçar o interesse do mesmo. Enquanto o Provedor assumia perante todos que era um leitor regular, o Presidente do CA fingia desconhecer a sua existência. E digo fingia porque alguém teve que dar instruções internas para bloquear o seu acesso através do servidor da instituição. Este erro estratégico mostra a fragilidade daquela instância de poder: bloqueando o acesso admitem publicamente que o conhecem e em seguida, nada contestam do seu conteúdo. Como diz o povo "quem cala consente" eles vão aprovando tacitamente as ilações que uns e outros tiram da leitura destes textos. Refira-se a decepção do Provedor que agora tem de encontrar outros mecanismos para conhecer as notícias que aqui se publicam.

Quanto à vida na instituição também algumas correcções, como a remuneração das permanências dos clínicos gerais, que abandonou os critérios desajustados que tinha.

Fica-me um amargo de boca: algumas situações irregulares ou ilegais não foram corrigidas. Resta-me a satisfação de que a justiça tarda mas vem tal como as decisões da Inspecção Geral de Actividades em Saúde.

Ficou assim claro que não basta publicar uma artigo nas Beiras para dizer que o sistema de transporte de doentes existe, quando neste blogue se denuncia que não funciona. Não adianta falar do ALERT quando se denuncia neste blogue o flop que ele constitui (registos de actos técnicos que demoram mais a executar que os próprios actos??) e extrapolar que alguém está a lucrar com tudo isto. Que adianta publicitar a abertura do Concurso para os cuidados continuados quando aqui se denunciam as suas irregularidades e a incapacidade de iniciar os trabalhos nos tempos mais próximos.

Em resumo, OS SEGREDOS que era possível esconder nos períodos de maior obscurantismo, são hoje do domínio público e acabam por ser colocados a nu.
A transparência da actuação da Administrações passou a ser, depois do Watergate, uma necessidade. Esta é a minha comparticipação para ajudar aqueles que ainda escondem tudo o que fazem (como aprenderam no tempo da outra senhora). Será timidez, falta de confiança ou é mesmo maldade?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

E VIVO TACHO

Têm entrado alguns comentários que, para além das questões pessoais, se referem à situação da instituição no contexto global do país em que vivemos (já agora chamo a atenção par uma visita aos comentários que vão aparecendo, vindos de pessoal da instituição que começa a manifestar-se).
Se algumas responsabilidades podem ser assacadas individualmente há em todo este processo uma co-responsabilização da tutela que não pode nem deve ser ignorada.
A tutela próxima (ARS) e a tutela mais longínqua têm-se envolvido na existência e na vida do Centro, apenas quando há obra para inaugurar ou algum Boy para colocar. Neste particular não há políticos menos culpados que outros, uma vez que o Pavilhão 7 foi inaugurado por um Ministro do PSD, enquanto os outros foram inaugurados por Ministros do PS.
Tirando estas visitas esporádicas nunca ninguém mais se envolveu na vida da instituição. Deste facto resultou uma tomada de posição no terreno (por parte de quem sabemos) que transformou aquela quinta numa coutada privada para Corleones, Damas de Ferro ou Cruellas de Ville.
A ganância de mudar de Comissão Instaladora para Conselho de Administração retirou alguma da flexibilidade que a primeira tinha. A incapacidade actual de transformar o SPA em EPE mantem o constrangimento na admissão dos recursos. Daqui resulta a grande dificuldade deste Centro em fixar recursos qualificados que não funcionem como mercenários.

Qualquer que seja a Administração que venha a substituir a actual, a sua tarefa não será fácil. Está montada uma tal teia que não é fácil de desmontar sem um grande apoio da tutela e sem um grande espírito de missão.

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