domingo, 29 de janeiro de 2012

VIRAR DE PÁGINA NO CMRRC, RUMO A UM FUTURO MELHOR?

O Centro de Medicina Física e Reabilitação da Região Centro tem um novo Conselho de Administração, desta vez liderado por um Médico Fisiatra, solução que defendo desde que foi assinado o Plano de Reconversão do Hospital Rovisco Pais, que eu subscrevi em 18 de Abril de 1995.
A ausência de um profissional da área das sucessivas direções daquele Centro, foi o maior motivo de dissidência com todo o percurso que aquele Centro fez. Desde a Comissão Instaladora aos Conselhos de Administração que se lhes seguiram, as lideranças deste processo foram sistematicamente entregues a peões políticos que nada conheciam da Medicina de Reabilitação. Mesmo o último Conselho de Administração, apesar de mais jovens e eventualmente com maior abertura de espírito, foi incapaz de nomear como Diretor Clínico um Médico Fisiatra, acantonando os conhecedores da Medicina de Reabilitação à mera figura de adjunto. É evidente que esta situação era conveniente para todos os intervenientes: o Presidente do CA acumulava a remuneração de Diretor Clínico (duma área profissional que ignorava por completo), e o Adjunto podia continuar a correr o país acumulando atividades clinicas privadas incompatíveis com a Direção Clínica e mesmo com o estatuto de Adjunto (conforme parecer jurídico da própria ARS Centro). A situação de promiscuidade servia a todos, menos ao desenvolvimento do Centro,  pelo que se manteve até à nomeação do atual CA.
Penso que agora foi virada uma página importante no futuro daquela instituição e da MFR na Região Centro.
O atual Presidente do CA, Dr. Luís André Rodrigues,  foi meu companheiro no percurso traçado em conjunto, para fazer vingar a ideia da necessidade de uma unidade daquela natureza na região Centro. Tem pois responsabilidades acrescidas que eu acredito que é capaz de respeitar.
Resta a questão organizacional e o apoio que pode conseguir angariar para encontrar um estatuto jurídico que permita àquele Centro desenvolver-se sem o espartilho que atualmente o estrangula, que resulta do facto de ainda ser um Hospital SPA. O anterior CA perdeu tempo e gastou dinheiro dos contribuintes a gerir conflitos que já existiam e a criar novos conflitos. Seguiu a linha de desenvolvimento traçada pelo Dr. Santana Maia e continuou a ignorar o programa funcional aprovado. Só lhes restava uma hipótese de duas: ou sair pelo seu pé ou não ser reconduzido pela notável incapacidade de fazer melhor. Mais uma vez não decidiram, esperaram ser apeados pela inequívoca vontade de terminar aquele tipo de gestão (?). Saíram por onde entraram, pela porta pequena e cabisbaixos acumulando os insucessos de 4 anos de mandato infeliz.

Que espero eu deste CA? Muito melhor.
Em primeiro lugar que cumpra as leis da nação eu não dê cobertura às situações promíscuas e de utilização dos bens públicos, para satisfação de regalias pessoais.
Em segundo lugar que não queira transformar aquela unidade numa feira de vaidades, em detrimento da prestação de serviços que deem reposta às necessidades da população.
Em terceiro lugar, muita sorte.
É fácil fazer melhor do que aqueles que vos precederam, mas eu espero de facto MUITO MELHOR, para bem do Centro e dos utentes necessitados.

4 comentários:

  1. Realmente é facil fazer melhor...mas como o lobby politico de cargos publicos ,como alguns diziam seria para desaparecer neste mandato PSD ,ainda está fortemente instalado no Centro ,impos um membro neste novo conselho que nunca tive capacidade de gerir na passado nem nunca vai ter no presente e no futuro ,porque os erros principais são sempre na gestão operacional do centro e estes vo.. são uns autenticos aproveitadores de cargos publicos...espero que este Presidente avalie bem quem o rodeia ..senao ...todos sabemos o que vai acontecer...enfim nao sei como ´que ainda nao perceberam que o CMRRC nao precisa de nenhum CA ...gerir 6 milhoes ...!!!incorporem nos CHUC que nem se nota ...e serão mais bem sucedidos...

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  2. Cada vez me convenço mais que o problema não é político, mas sim uma falta de SERIEDADE transversal na sociedade portuguesa. Passou a ser normal que as mudanças de governo suscitem mudanças de liderança em entidades que nada têm de político como é o caso das administrações hospitalares. Desde quando gerir é uma atividade política? Porque continuam os políticos a resistir à implementação de uma legislação que sancione as gestões danosas do bem público? Mas a culpa não é só deles. É também nossa que nos afastámos progressivamente dos centros de decisão deixando esse lugar aos políticos de carreira. E agora, como dar a volta à situação? Em concreto, em relação ao seu comentário, resta saber quem vai mandar no Rovisco Pais: o lobby da política partidária ou o lobby dos Fisiatras (também atualmente bem encostado ao poder). Venha o Diabo e escolha.

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    1. Sim concordo com o seu comentário ,mas mesmo assim ainda acho que temos uma grande fatia de administradores hospitalares com sede de poder (neste caso sé é que é algum...), são uns incompetentes ,prepotentes que deviam ser corridos destes cargos pois não permitem esta nova vaga de administradores hospitalares comm vontade de mudar ajudar o Pais...enfim minam estes cargos ,como se fossem deles para sempre ,nao fazem nenhum e continua tudo na mesma..uma pergunta?
      Já que vamos ,estamos a herdar tudo de mal que fizeram estes senhores ao longo dos anos ,porque é que nao deixam gente nova com experiencia altamente qualificada que temos com vontade de trabalhar em cargos de decisão ?...Politica é a resposta ...Só de saber que o o CMRRC tem como Vogal o mesmo de ha 2 legislaturas ....diz tudo ...é de ficar indignado....

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    2. Para além do problema nacional das dependências partidárias que se instalam nos gabinetes de tudo que é lugar dito de Poder (às vezes muito pequenino) acresce a vaidade e a realização profissional de muita gente, o que é especialmente verdade no Rovisco Pais.
      Senão vejamos na história recente quem tem passado pelo Rovisco Pais e o que faziam antes de irem para lá.
      O Dr. Santana Maia sempre teve a ambição de deixar o seu nome ligado a algo de GRANDE, à semelhança do seu mentor Bissaya Barreto. Depois de ter passado pelo Direção do CHC, de ter saído pela porta pequena da Ordem dos Médicos, queria deixar algo marcante, e deixou o seu nome num pavilhão do Rovisco Pais.
      O Dr. Jorge L. apresentou uma candidatura a doutoramento na Universidade de Coimbra, que nunca fez; foi médico nos HUC onde nunca chegou a Chefe de Serviço, muito menos a Diretor; teve de ir para o Rovisco Pais para tentar conseguir a projecção que antes não conseguira, e mesmo assim conseguiu apenas uma parte.
      O Prof. nunca saiu de um pequeno anonimato nos HUC e teve a grande oportunidade de ser Presidente no Rovisco, onde evidenciou as suas “competências” como gestor!
      Isto mostra como o Rovisco Pais tem servido a muita gente para se promover mas tendo tido pouca gente para o servir.
      Muita gente passou por lá para tentar promover-se à custa do Centro, ignorando que as instituições existem para prestar um serviço às populações carenciadas e não para servir aqueles que lá são colocados. Enquanto o Rovisco Pais puder continuar a ser um entreposto para a ambições de meia dúzia de megalómanos, nunca nada estará bem. Enquanto continuar a servir de entreposto de emprego para os amigos, vizinhos, primo...... continuará a ser apetecível para as bases partidárias que reivindicam o prémio pelos cartazes que colaram. Portugal no seu melhor.

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