quarta-feira, 4 de maio de 2011

PERGUNTAS AOS DEPUTADOS À AR PELO CIRCULO DE COIMBRA

Os diferentes partidos políticos começam a fazer a apresentação pública dos respectivos candidatos a Deputados à Assembleia da República. Mais do que saber quem são, importa saber quais as ideias que têm em relação a questões concretas que dizem respeito a Coimbra Cidade e Distrito.

Coimbra caracteriza-se por ser uma cidade e um Distrito de onde a indústria desapareceu progressivamente ao longo dos últimos anos e onde o sector imobiliário cresceu à custa da população da cidade e dos utilizadores dos serviços da cidade. Assim Coimbra vive centrada em dois sectores que são os serviços de saúde e o ensino, pelo que importa saber que ideias têm os nosso futuros candidatos sobre algumas das questões que afectam estes sectores, e em particular a saúde.

É sabido que por força de circunstâncias financeiras o Ministro das Finanças decidiu impor alterações organizacionais que vão ter consequências no equilíbrio da saúde da região centro construído ao longo dos últimos 40 anos.

Decidiu o Ministro das Finanças resolver uma querela antiga oferecendo de mão beijada ao inimigo, o corpo de um moribundo, para que ele o possa expor agonizante na praça pública. Estamos a falar de uma polémica de 40 anos que opõe a prática da medicina incluindo o ensino universitário ou não, que afastou o Professor Bissaya Barreto da sua casa mãe o Hospital da Universidade de Coimbra. Esta polémica perdeu importância com o passar dos anos, mas a divergência manteve-se e cada Hospital cultivou o seu modo próprio de estar e de intervir na comunidade. Com o passar dos anos também se tornou necessário reflectir sobre o lugar e a dimensão relativa de cada uma das instituições no panorama da Saúde na Região Centro. Várias tentativas foram feitas para tentar adaptar as existências à realidade actual, sem sucesso. Ninguém nunca quis assumir o ónus de promover aquela discussão dentro de casa (isto é no âmbito do Ministério da Saúde); quem tinha capacidade política para o fazer usou os seus trunfos para se reforçar nas instituições, empurrando com a barriga a discussão necessária sobre esta questão. Neste contexto, o Ministério das Finanças decidiu cortar a direito e criar Centro Hospitalares, tenham ou não sentido clínico, sejam ou não complementares, haja ou não ganhos em termos de saúde para as populações, desde que se cortem algumas Administrações. Decisão para inglês ver, uma vez que os ganhos efectivos esperados não deveriam ser apenas os dos salários dos Administradores, mas sim aqueles que resultariam de um mudança no funcionamento das instituições em termos de complementaridades e de racionalização dos recursos técnicos instalados ou a instalar.

Esta avaliação, que deveria ser realizada no âmbito das autoridades regionais de saúde, ou nunca foi efectuada, ou foi realizada no sótão de alguns cidadãos de Coimbra que não representam de facto, todas as partes interessadas no planeamento do funcionamento das instituições hospitalares.

Assim foi parida uma proposta de criação de um Centro Hospitalar Universitário de Coimbra que se resume à ampliação do actual Hospital da Universidade de Coimbra, perdendo os ganhos esperados de uma estrutura de Centro Hospitalar.

Concluo isto porque as medidas anunciadas para o dito CHUC incluem a eliminação de redundâncias o que significa a extinção de metade dos serviços existentes num dos Hospitais uma vez que as duplicações são evidentes: neurologia, neurocirurgia, medicina interna, fisiatria, cardiologia, infecciosas, urgências, ortopedia, ginecologia, obstetrícia, radiologia, oftalmologia, psiquiatria, cirurgia, .... Noutros casos a fusão de serviços iria permitir incorporar nos HUC áreas de que eles carecem como a pediatria, a hematologia, a otorrino...

Trata-se assim de facto de uma extinção de uma unidade de produção sem medir as consequências para as populações nem para o Serviço Nacional de Saúde.

No entanto, não é mais possível continuar a ignorar a realidade que é a necessidade de reorganizar as instituições para as adequar à nova realidade no panorama da saúde na região centro e no país.

Porque juntar três unidades de igual nível, com diferenciação técnica idêntica, apenas com diferenças nos meios disponíveis e na realidade de ser escolar ou não?

Porque não juntar unidades grandes (HUC, CHC, CHP, HST, HSA, ...) a unidades de pequena ou média dimensão (H. Cantanhede, Pombal, Águeda, Rovisco Pais, Figueira da Foz, Tondela ....) usufruindo das complementaridades, melhorando a qualidade assistencial e rentabilizando a capacidade instalada? Porque a decisão foi tomada na instância errada. Mas o Ministério da Saúde (através da ARS) já teve tempo para estudar e apresentar alternativas, que não hostilizem os quadros institucionais, que não criem conflitos, que melhorem os cuidados e que rentabilizem os meios existentes, gerando uma verdadeira poupança de recursos. Não me parece que o encerramento de unidades de produção seja uma via de poupança. Mas se o Ministério da Saúde não trouxe a público medidas alternativas eu gostava de saber o que pensam os nossos candidatos a deputados desta decisão e das suas alternativas, cujas consequências para a economia e para a capacidade instalada no Distrito não são negligenciáveis.

1 comentário:

  1. José Manuel Almeida7 de maio de 2011 às 11:21

    Não poderia estar mais de acordo com o que aqui é dito! Há muitas razões técnicas e outras (muitas outras) que o sustentam...
    Chegou o tempo de elevar o tom de voz neste debate!
    Vou partilhar no meu facebook!

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