domingo, 10 de janeiro de 2010

CUIDADOS CONTINUADOS OU CONTINUIDADE NO TRATAMENTO?



Num texto prévio, comentei a análise SWAT que o anterior CA do CHC fez referindo-se ao envelhecimento da população como uma ameaça, quando deveria ter sido valorizado como uma oportunidade de negócio.

Quanto a mim, o envelhecimento da população deveria e poderá ser considerado como uma oportunidade de negócio para o Centro Hospitalar de Coimbra.
É hoje um facto conhecido que a média de idade da nossa população está a crescer e que a esperança de vida da mesma é hoje muito superior.

Deste envelhecimento resulta uma redução das capacidades executivas nos diferentes domínios da actividade humana. O próprio envelhecimento saudável implica redução de algumas ou de muitas das competências executórias.
Situações de equilíbrio rapidamente se descompensam com pequenos eventos de doença, mesmo que transitória. Estes desiquilíbrios da situação individual traduzem-se por situações de incapacidade face a uma ambiente externo pouco preparado.
As situações de patologia são cada vez mais complexas e em pessoas cada vez mais idosas, criando dificuldades de assegurar a permanência na comunidade e/ou no meio familiar. As infra-estruturas de acolhimento temporário ou definitivo desta população são insuficientes e geridas por uma estrutura muito afastada do terreno.

As Unidade de Cuidados Continuados surgiram e têm vindo a ser utilizadas de modo mais ou menos adequado ao cumprimento da sua missão, nem sempre bem compreendida pelas populações nem pelo profissionais de saúde.

O CHC tem condições extremamente favoráveis ao desenvolvimento de uma actividade assistencial destinada a fazer face às necessidades emergentes desta população, de um modo global, abrangente  centrado na dignidade da pessoa idosa.
1 - Existe uma cultura de humanismo na prestação dos cuidados, difícil de concorrenciar;
2 - Temos um enquadramento físico das nossas instituições único;
3 - Temos espaço construtivo e instalações devolutas (ou quase) passíveis de adaptar a este fim;
4 - Temos um corpo clínico altamente qualificado, habituado a trabalhar em colaboração (e a lidar cada vez melhor com o envelhecimento da nossa população).

Falta-nos capacidade financeira, uma vez que o capital social da EPE está praticamente consumido pelos resultados transitados. No entanto não temos alternativas que não sejam encontrar uma via de futuro ou morrer lentamente, perdendo qualificação, desperdiçando recursos e acabando por custar mais dinheiro à comunidade.

Os cuidados continuados têm sido tratados como um parente pobre da Medicina e como um parente rico dos lares de terceira idade. Tudo tem sido colocado no mesmo saco independentemente de estarmos a lidar com situações onde a continuidade dos cuidados se integra numa perspectiva clara de reabilitação activa, numa perspectiva de convalescença médica ou apenas numa situação final de institucionalização com apoio sanitário.

É preciso qualificar os cuidados continuados nomeadamente os de convalescença como verdadeiras estruturas de Medicina de Reabilitação. É preciso exigir maior presença médica nas Unidades de Cuidados Continuados, a bem dos utentes. É preciso manter em meio hospitalar alguns doentes "evacuados" para as unidades periféricas, quando ainda necessitam de uma intervenção qualificada.

Para isso é preciso ousarmos, e ousar é trazer alguns destes cuidados para as unidades hospitalares, melhor, ter unidades tampão de MFR que assegurem a interface entre a intervenção especializada de carácter médico ou cirúrgico e os cuidados continuados.
A garantia da continuidade e de um tratamento holístico, baseia-se assim na prestação sequencial de cuidados, sem agravar os tempos de hospitalização, nem prejudicar os utentes.


Esta é uma via possível, tecnicamente à altura das nossas competências, adequada às necessidades dos nossos utentes. 

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